Roupas Novas

Uma das imagens mais fortes que tenho do Natal remonta à minha infância. Era, praticamente, a única oportunidade em que ganhávamos presentes. Invariavelmente, roupas. Dias antes do Natal, alguns amigos e eu adentrávamos o cerrado a buscar galhos secos (hoje talvez fosse crime ambiental) para, assim, confeccionar nossa árvore de Natal. Minhas irmãs pegavam algodão, cobriam todos aqueles galhos e os enfeitavam com bolinhas coloridas, compradas com algumas moedas que juntávamos. Embalávamos, com papéis de presente, caixas de sapato vazias e até tijolos e os colocávamos ao pé da árvore. E pronto: estava feita nossa árvore. Então, era só esperar o grande dia.

Nos dois dias anteriores ao Natal, tínhamos teatro e apresentação de coral na igreja. Um dos meus sonhos era representar um dos três reis magos que iriam visitar o menino Jesus levando presentes. Essa era a imagem que mais me comovia: a entrega dos presentes.

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Roupas Novas

Uma das imagens mais fortes que tenho do Natal remonta à minha infância. Era, praticamente, a única oportunidade em que ganhávamos presentes. Invariavelmente, roupas. Dias antes do Natal, alguns amigos e eu adentrávamos o cerrado a buscar galhos secos (hoje talvez fosse crime ambiental) para, assim, confeccionar nossa árvore de Natal. Minhas irmãs pegavam algodão, cobriam todos aqueles galhos e os enfeitavam com bolinhas coloridas, compradas com algumas moedas que juntávamos. Embalávamos, com papéis de presente, caixas de sapato vazias e até tijolos e os colocávamos ao pé da árvore. E pronto: estava feita nossa árvore. Então, era só esperar o grande dia.

Nos dois dias anteriores ao Natal, tínhamos teatro e apresentação de coral na igreja. Um dos meus sonhos era representar um dos três reis magos que iriam visitar o menino Jesus levando presentes. Essa era a imagem que mais me comovia: a entrega dos presentes.Exatamente no dia 25, o almoço era o melhor do ano: peru assado, refrigerante e tantas outras coisas gostosas que vinham na cesta de Natal que meu pai e meus irmãos mais velhos recebiam no local em que trabalhavam. Que dia memorável! Na véspera do Natal, minhas irmãs mais velhas colocavam, embaixo da árvore,  os presentes que meu pai trazia, com os respectivos nomes dos favorecidos.

Sinceramente, lembro-me muito pouco da imagem de Papai Noel – esse factoide criado pela Coca-Cola. Tínhamos consciência de que o Natal era nascimento, era novidade de vida, era uma homenagem a alguém que havia nascido para mudar a história da humanidade; alguém que, de tão importante,  dividira a contagem dos anos (a.C./ d.C.).

“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Poderoso, Pai Eterno, Príncipe da Paz.”

(Bíblia Sagrada, Isaías 9.6)

Entristeço-me ao pensar naquilo em que alguns de nós tentam transformar o Natal: momento de vender e comprar mais, oportunidade de viajar por viajar, oportunidade de curtir por curtir, de se embebedar e matar ou morrer no trânsito. Assistindo a um programa de tevê na casa dos meus pais, comecei a observar as propagandas de Natal. Uma delas dizia: “O Natal é bonito, mas pode ser lindo se você comprar Boticário”. É muita presunção! O que está implícito aí? Sem os produtos daquela marca, seu Natal será ordinário. Com eles, extraordinário. “Faça do seu Natal um momento feliz, aproveitando nossas promoções”, dizia outra propaganda. Quer dizer que, se não as aproveitarmos, nosso Natal será infeliz?

O Natal é o nascimento do Mestre dos mestres, daquele que nasceu, morreu, e ressuscitou (por mais que ressuscitar seja algo inimaginável).Embora provavelmente  tenha nascido no mês de setembro, é em dezembro que se comemora o nascimento daquele que revolucionou o mundo e pode revolucionar a sua vida. Daquele que é a solução para este caos em que vivemos! Sim: existe uma esperança para nós, que chegamos ao mês de dezembro tão fatigados, sobrecarregados e, quem sabe, desejosos de aplacar nossos conflitos interiores com consumismo e festas. A esperança é Jesus Cristo. O verdadeiro Natal consiste em permitir que Jesus Cristo nasça em sua vida e que você nasça juntamente com Ele para uma nova vida.

Sei que muitos de vocês, caros leitores, sabem e praticam o verdadeiro sentido do Natal. Sei que alguns, apesar de saberem, não praticam. Outros talvez não saibam; por isso, não praticam. Se você, como eu, está no segundo grupo (vale também para quem estiver no terceiro grupo), chegou a hora de tentar mudar!

Temos de fazer um Natal diferente! Torná-lo uma oportunidade para valorizar coisas intangíveis: amor, paz, tranquilidade, generosidade, companheirismo, perdão, amizade, fraternidade. Tudo aquilo que “o menino” nos veio trazer. Tudo o que o Mestre nos ensinou.

Na minha infância, as roupas que ganhávamos no Natal seriam praticamente as mesmas que usaríamos durante o ano inteiro, excetuando-se os uniformes escolares adquiridos no período de início das aulas. Lançando mão de uma metáfora, que neste Natal vistamos as roupas novas que nos protegerão da ambição sem limites, do consumismo, da mágoa, da inveja, do pessimismo, do orgulho, da procrastinação. Natal é nascer. É vestir-se de roupas novas.

“Que neste Natal

eu possa me lembrar dos que vivem em guerra

e fazer por eles uma prece de paz

Que eu possa me lembrar dos que odeiam

e fazer por eles uma prece de amor

Que eu possa perdoar a todos os que me magoaram

e fazer por eles uma prece de perdão

Que eu esqueça as tristezas do ano que termina

e faça uma prece de alegria.”

 

Sugestões de presentes para o Natal: “Para seu inimigo, perdão. Para um oponente, tolerância; para um amigo, seu coração. Para toda criança, um exemplo bom. Para você mesmo, respeito. Para tudo, amor.”

 

 

Eu ensino, tu ensinas, ele ensina…

Hoje se comemora o Dia do Professor. Como já falei, aprecio a maioria das datas comemorativas. E por ser professor, não poderia deixar de falar sobre esse tema.

Um bom professor lida, constantemente, com exemplos. Para que sua teoria fique clara, eles são essenciais. Nada melhor, didaticamente falando, do que relacionar, quando possível, um fato teórico a uma prática do cotidiano.

Estava refletindo sobre isso quando me ocorreu um pensamento: Todos nós, independentemente da profissão, somos professores. Transmitimos, consciente ou inconscientemente, ensinamentos a nossos familiares, amigos, colegas, clientes. E a grande questão está aí. Nossas más atitudes são compartilhadas, juntamente com as boas,  sem que percebamos. É o trigo e o joio juntos.

Um pensador já afirmou: “Nada é tão contagioso como o exemplo”. Alguns textos judaicos dizem que o bom exemplo constitui o melhor e mais eficaz sistema de educar os filhos. O sábio Confúcio nos presenteou com as seguintes palavras: “Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo.” Porém, o pensamento que mais me impactou ao refletir sobre este tema foi o do filósofo Francis Bacon:

“Aquele que dá bons conselhos constrói com uma mão; aquele que dá bons conselhos e exemplo constrói com ambas; o que dá bons conselhos e mau exemplo constrói com uma mão e destrói com outra.”

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Não desista, Gabrielle!

Vivemos na época do instantâneo, do fast food, do express, do ultra, mega, hiper rápido: a era da velocidade. Num mundo em que, cada vez mais,  as pessoas  preferem as comidas prontas, os relacionamentos prontos, tudo pronto, falar em persistência é  complicado.

Não sou a favor de que se perca tempo. Muito pelo contrário. Mas uma coisa aprendi: praticamente tudo tem um limite. Vi uma entrevista da ex-atleta suíça Gabrielle Andersen – atleta que se tornou símbolo mundial de persistência ao terminar, totalmente exaurida, a primeira maratona feminina, ocorrida  nas Olimpíadas de Los Angeles. Poucos se lembram da americana que venceu a prova, mas da imagem da suíça, sim.

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O espetáculo, as vaias e nós.

No final de semana passado, ocorreu, em nosso país, a abertura de um evento esportivo denominado Copa das Confederações. Evento esse que antecede dois outros bem mais vistosos: a Copa do Mundo de Futebol – esporte favorito dos brasileiros – e as Olimpíadas.

Há pouco mais de 6 anos, o país comemorou entusiasticamente o fato de ter sido escolhido para sediar tais jogos. A escolha significava uma vitória para o Brasil; representava um reconhecimento da importância do nosso papel no contexto mundial.Sabe-se, porém, que por estes lados tupiniquins,  gestores públicos e alguns empresários não são conhecidos exatamente como responsáveis com a coisa pública. Desvios ou má utilização de verbas, obras superfaturadas não são novidade por aqui, e logo denúncias e mais denúncias proliferaram, causando, ­ evidentemente, indignação na população.

Voltemos ao dia fatídico da cerimônia de abertura da Copa das Confederações. Tudo preparado para a grande festa! Ingressos esgotados. Forte esquema de segurança para os “heróis” da seleção e… de repente, horas antes do esperado espetáculo, outro “espetáculo” se inicia no lado de fora da grande arena. Protestos protagonizados por estudantes e outros grupos transformaram as imediações do estádio numa praça de guerra: de um lado, pessoas insatisfeitas com a corrupção; do outro, policiais despreparados e talvez saudosos do tempo da ditadura militar, em que podiam ser truculentos e vis sem nenhum medo de ser punidos.

Dentro do estádio, termina um espetáculo carnavalesco que representa o início dos jogos e surgem, para abrir o evento, dois mandatários: Joseph Blatter, presidente da FIFA – a “nação do futebol” – e Dilma Rousseff – presidente de um país “apaixonado por futebol”. Para surpresa de todos, não são recebidos – como talvez esperassem – por efusivos aplausos, com gritos de aprovação. Começa então um novo espetáculo: ouvem-se vaias de quase 70000 pessoas. Vaias ensurdecedoras e extremamente constrangedoras deixam atônito o responsável pelo evento, levando-o, como um pai surpreso pela descompostura do filho, a  tentar reprimir 70000 pessoas – algo, no mínimo, intrigante. Nossa presidente baixa a cabeça e por alguns instantes se sente desprotegida, sem aquele “poder” que muitas daquelas pessoas lhe haviam conferido anos antes.

Como alguém que também pode opinar, tento primeiro deglutir o que está acontecendo. Antes de falar – necessidade vital das pessoas em nosso tempo –, lanço mão de algo que aprendi no primeiro semestre da universidade: o pensamento dialético, resumido na tese, na antítese e na síntese. E procuro palavras dos sábios que nos antecederam.

Lembrei-me da história do líder indiano Mahatma Gandhi, que libertou seu país do domínio inglês pelo princípio da não-agressão. Entre outras palavras, o termo que melhor define os protestos liderados por ele é a desobediência civil. Pacificamente, os manifestantes, aos milhares, decidiam não mais obedecer às incongruências ditadas pelo poder. Ouçamos algumas de suas palavras: “Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa é atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas”.

Lembrei-me do grande líder negro Martin Luther King,  cuja célebre frase até hoje ecoa em nossos ouvidos: “Eu tenho um sonho”. Liderou pacificamente um povo na luta contra  a segregação racial nos EUA. Lembrei-me de Nelson Mandela, na luta contra a segregação racial na África do Sul. E, acima de tudo e de todos, lembrei-me do Mestre dos mestres – Jesus Cristo. Este estabeleceu há mais de 2000 anos uma regra de ouro: “Não faças a outrem aquilo que não queres que façam a ti.” Vejam bem, senhores: as pessoas que marcaram positivamente a história optaram pela não-agressão.

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Bem, queridos leitores, ainda não deixei clara a minha opinião. Sou a favor dos protestos ou não? Sinceramente, fico muito feliz que “o gigante brasileiro” pareça estar acordando. E aparentemente não está sendo liderado por nenhum partido sujo. Porque não dá mais para tolerar tanta sujeira. Não dá mais para tolerar tanta corrupção arraigada em nós. Creio que podemos construir agora a nossa “Primavera Árabe”. E estou disposto, sim, a ir para as ruas.

O Mestre nos diz: “Aquele que sabe fazer o bem e não o faz nisto está errando.” Diz também que “se nós nos calarmos, as pedras clamarão.” Diz ainda, num dos seus textos mais belos: “Bem-aventurados os que têm sede de justiça.” Ou seja, protestar contra coisas erradas é legitimado não só pela lei, mas também pelo livro sagrado dos cristãos: a Bíblia.

Observando Gandhi, Martin Luther King, Mandela e, acima de todos, Jesus Cristo, reitero: todos temos o direito e o dever de protestar contra as injustiças. Porém, o protesto em que acredito segue o princípio da não-agressão. Pode parecer medo ou neutralidade a alguns. Não me importo com o que pareça.

As pessoas que chegavam ao estádio para ver o jogo exerciam legitimamente um direito. Logo, não poderiam ser agredidas por manifestantes contrários aos desmandos que ocorreram na construção do estádio e na organização do evento. Pelo que vi, foram chamados, dentre outras coisas, de alienados. Vocês sabem, caros leitores,  o que significa “alienado”? “Aquele que transfere sua consciência para outrem”.

Essas pessoas que protestavam não poderiam ser agredidas por policiais, porque exerciam um direito legítimo. Policiais não poderiam ser agredidos por tais manifestantes, porque exerciam ali o seu dever.E quanto à agressão sofrida dentro do estádio.  Aquelas pessoas que foram agredidas por ingressos caros, lanches caríssimos, humilhações impostas pela FIFA – que praticamente obrigou nosso país a rasgar as leis – voltam toda a sua raiva para a nossa presidente e, praticamente em uníssono, dirigem-lhe estrondosas vaias.

Entendo que as vaias foram a forma mais rápida e mais eficaz, naquele momento, de demonstrar aos dois mandatários toda a indignação. Porém foi agressão contra agressão. Entendo que podemos ter motivo para vaiá-la. Porém preciso ser coerente com aquilo em que acredito. O meu Mestre disse: “Felizes os pacificadores”. Gandhi , apesar de hindu, lutou pelos cristãos. E seguia alguns ensinamentos do Mestre. Era um pacificador.

Penso que os torcedores que ali estavam erraram ao agredir a nossa presidente. Talvez, as pessoas que menos poderiam vaiá-la fossem as que ali se encontravam. Percebam a incoerência: Estou feliz num espetáculo e desprezo aqueles que promoveram o espetáculo! Nossa presidente estava ali exercendo, legitimamente, um direito. Logo, por que ser agredida? Como ser humano, senti-me envergonhado com o que aconteceu. Porque não vi ali simplesmente uma presidenta. Vi ali uma mulher, uma mãe, uma avó, um ser humano sendo exposto ao ridículo. Nada que ela tenha feito, repito, na minha opinião, justifica aquelas vaias. Quando tratamos as pessoas daquela forma, tornamo-nos menos humanos, menos altruístas, menos benignos e nos juntamos aos rancorosos e aos vis.

Vocês podem argumentar: “Mas é ela que expõe, todos os dias, os brasileiros ao ridículo; se quer ser respeitada, precisa ser respeitada”. Mais uma vez discordo. O respeito deve partir de mim, independentemente de a outra pessoa me respeitar, porque eu não sou igual a ela.

Na minha visão, a melhor forma de protestar teria sido a seguinte: ninguém compraria os caríssimos ingressos;  ou talvez compraria e ficaria do lado de fora, em protesto! Um protesto legítimo. haveria repercussão muito maior? E com a vantagem da não-agressão. Lembrando Gandhi: ““(..)  ferir ou atacar outra pessoa é atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas”.

Vocês, caros leitores,  acham certo policiais atropelarem com suas motos e seus cavalos os jovens que protestavam do lado de fora? Essa é uma forma de agressão. Vaiar a presidente também é uma forma de agressão. Entendam: a nossa revolta não pode dar vazão à agressão. Eu não sou santo! Já agredi meus semelhantes muitas vezes com palavras, com gestos, com gritos, com atitudes. Entretanto, pior do que errar é querer justificar o erro e além disso persistir no erro.

Posso parecer ingênuo aos senhores, prezados leitores, mas tenho de ser coerente com aquilo em que acredito. Como cidadão, fico, sim, revoltado com tanto roubo, com a extorsão praticada pela FIFA dentro e fora dos estádios, pelo ato criminoso de se cobrarem seis reais por uma garrafinha de água mineral e proibirem um ato tão comum às pessoas em Brasília – que é andar com suas garrafinhas d’água. Fiquei revoltado com a desmarcação de cirurgias nos hospitais públicos  para que sobrassem leitos para os pacientes eventuais dos jogos. Mas quando agrido as pessoas a quem considero vis, torno-me igual a elas. Novamente me vêm as palavras do Mestre: “Não faças a outrem o que não queres que façam a ti.”

Jamais aplaudirei a maldade, o roubo, a corrupção, a agressão. Esforçar-me-ei por não me alegrar com a desventura de alguém. Unir-me-ei àqueles que desejarem protestar de forma pacífica, seguindo o princípio preconizado por Cristo e por todos aqueles que sejam pacificadores.  O meu referencial não é a mídia. Os meus referenciais são as pessoas  que, apesar de imperfeitas,  entraram para a História por demonstração de coragem, mas, sobretudo, de  bondade.  O meu referencial é aquele que, sendo perfeito, deu a vida por imperfeitos: Jesus Cristo.

Lembrem-se, caros leitores:

“O homem bom tira coisas boas do seu tesouro.”

Um grande abraço.

 

Hora de mudar!

Há algum tempo, estava insatisfeito com minha vida profissional. 15 anos fazendo a mesma coisa. Já não se me apresentavam desafios. Como professor de Português, as perguntas que chegavam a mim eram sempre as mesmas. E não sou muito afeto a rotinas. Mas imaginem. Não é fácil para alguém que está chegando próximo à idade dos “enta” mudar de rumo, de profissão. Mas eu tinha de ser coerente comigo mesmo. Dar aulas a semana toda já não correspondia às minhas expectativas internas.

Até então minha profissão era professor. Paralelamente, escrevia livros. Decidi, então, inverter a posição: minha primeira profissão seria escritor e, paralelamente, ministraria algumas aulas. Nesse meio tempo (o conflito durou cerca de dois anos), surgiu a oportunidade de eu ser diretor de uma editora (empresa responsável pelo processo eletrônico de produção de livros). Achei o desafio interessante. E a esses novos mares me lancei.

O leitor deve estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com sua vida? Peço-lhe calma! É só um pano de fundo para o que quero falar mesmo. Acreditava que trabalharia menos nas minhas novas profissões: escritor e editor. Ledo engano. Minha jornada de trabalho dobrou. Meus finais de semana se esvaíram. O tempo simplesmente se extinguiu.  O estresse aumentou. Confesso que cheguei a me arrepender de tal mudança. Mas uma frase não me saia da cabeça: Sem sacrifícios não há vitórias! Quantas vezes falei essa frase aos meus alunos! E agora, efetivamente, ela se aplicava a mim.

Bem, caro leitor, vamos ao desfecho inicial do meu relato. Hoje, quase 1 ano depois da mudança de profissão, posso dizer-lhes que estou trabalhando mais que antes, ganhando menos que antes, porém mais feliz que antes. O prazer no trabalho, descobri, não está necessariamente relacionado a quanto se ganha ou  a quanto se trabalha. Está relacionado ao propósito que se encontra no que se faz. E algo inesperado, nesse meio tempo, aconteceu: minha antiga profissão se tornou um hobbie. Encontrei, novamente, o prazer de dar aula, já que agora tal atividade é a minha fuga dos problemas de direção de uma empresa. Coisas da vida.

Vamos agora à nossa aplicação. Tenho aprendido que devemos parar de adiar mudanças necessárias. A nossa vida é muito curta para continuarmos a insistir em algo que não nos satisfaz. Em segundo lugar, mudanças exigem sacrifícios. Exigem dor. Mas são necessárias. Às vezes o cansaço me consome. Mas consigo ver um propósito maior no que eu faço. Quando vejo um livro nascer, vejo que o trabalho valeu a pena. É como uma boa mãe, num parto natural. Existe a dor, mas a alegria do nascimento de um filho se sobrepõe a qualquer sacrifício.

Mudanças, na maioria das vezes, são necessárias. E exigem sacrifícios. Pelo menos, até que se atinja um ponto de equilíbrio.

O que o livro do Mestre nos diz sobre isso?

Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

O que algumas vozes do passado nos falaram sobre isso? “Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.”, disse Mahatma Gandhi. “Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.”, afirmou Immanuel Kant. “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro.” , disse John Kennedy.

Portanto, querido leitor, façamos as mudanças necessárias. E quando vier a dor, o cansaço, o temor do fracasso, lembremo-nos: “Sem sacrifício não há vitórias.”

Uma ótima semana!

Mulher

Não é difícil falar do tema MULHER. Estou cercado de mulheres virtuosas, esplêndidas, sensacionais! Pertenço a uma família de oito filhos, dos quais seis são mulheres. Cresci acompanhado por uma mãe de caráter e temperamento fortes. Extremamente zelosa e comprometida com a família. De uma natureza benigna, como o próprio nome (Benigna Ribeiro).

Na minha vida estudantil, as pessoas que mais marcaram positivamente foram minhas professoras. Na universidade, mais uma vez elas tiveram um papel sobrenatural: não desisti do meu curso de Letras porque uma mulher extremamente competente e motivadora conseguiu me mostrar o meu valor (professora Marisa Khalil). Na minha vida profissional, sempre tive coordenadoras que muito me apoiaram: Vanuza, Marilu Fernandes, Ivana. E hoje, a companhia constante em minhas aulas são as mulheres – 70% dos meus alunos.

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Casei-me com uma mulher singular: ética, forte, íntegra, inteligente, e linda –Renata, renascida. Deus me deu, dessa união, duas filhas (Amanda e Ana Júlia), que são minha fonte de inspiração todos os dias.

Então, o que dizer neste Dia Internacional da Mulher?

Agradeço ao meu bom Deus a sua obra mais extraordinária! Foi por intermédio de uma mulher agraciada que veio ao mundo o homem em que me inspiro todos os dias: Jesus Cristo. Sendo Filho de Deus, Ele poderia ter vindo de tantas outras formas, mas aprouve ao Criador que o seu Filho viesse como homem e tivesse a experiência inigualável de ter uma mãe: a virtuosa Maria!

Homenageio as sensacionais mulheres que trabalham na minha casa, cuidando com amor da minha família. Que Deus as recompense. Agradeço às funcionárias da Editora Sintagma, que suportam com paciência o meu perfeccionismo e atendem muito bem aos nossos clientes e aos nossos alunos.

Homenageio minhas alunas concurseiras, que todos os dias têm de ir em busca dos seus sonhos, tirar forças de onde não existem, conciliar trabalho, família, estudos. Mulheres de garra, que passam horas e horas escrevendo, anotando, ouvindo, vendo, lendo,  e lidando com emoções não raras vezes adversas. Vocês são vencedoras e vão colher tudo o que estão plantando!

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Mulher, você é a beleza deste Universo. Você é a expressão máxima da obra de arte do Criador. Não minimize suas potencialidades, não abra mão dos seus princípios, dos seus valores, dos seus sonhos. Saiba que o dom da vida está em você.

A cada uma das mulheres que faz parte da minha vida posso dizer: Hoje não sou nada sem vocês! MUITO OBRIGADO pelo privilégio de conhecê-las e tê-las perto de mim.

Que o Criador as abençoe grandemente neste dia e as faça prosperar!

Um grande abraço!

Audaces fortuna juvat

Num tom um pouco pessimista, eu  diria que a frustração é inerente à expectativa.  “Achar que tudo pode acontecer conforme planejamos ou queremos é dar de encontro com a frustração iminente”, disse certo autor. Infelizmente, como nos diz o livro do Mestre, “a esperança frustrada adoece o coração”.

Tenho vivido novíssimas experiências neste ano. Mudança quase brusca de profissão, mudança de visão, carga excessiva de trabalho, viagens, negociações. Comum a todas elas: a frustração. Tenha calma, caro leitor: não irei terminar o texto com esse viés depressivo.

Provavelmente você já passou ou vai passar por uma das situações aqui descritas. Parece que você está num ritmo maior que todo mundo: estuda, trabalha, lê, faz cursos, se esforça, se aperfeiçoa,  investe tempo e dinheiro em algo e… o resultado não vem como se espera. Quando pensamos que a fase difícil já passou, parece que surge um desafio maior. Algumas vezes nossa vida parece aqueles jogos de videogame, com fases cada vez mais difíceis e aparentemente intermináveis.

Você já estudou muito e não conseguiu aprovação? Você já se doou por uma empresa e não foi reconhecido? Você já se dedicou a algo ou a alguém e não teve um resultado favorável? Pode ser, por exemplo, que você tenha sempre cuidado da alimentação e de repente se vê com uma doença relacionada à má ou deficiente alimentação! Tudo isso gera frustração.

Há alguns dias, senti-me frustrado. Talvez por ser workaholic e um tanto ansioso (uma das minhas maiores lutas é contra a ansiedade), a colheita de tantas sementes que plantei durante minha trajetória parecia demorar. Sementes boas, imagino! Os resultados pareciam ser pequenos demais,  demorados demais.

Como não sou muito chegado a tristeza, fui em busca de respostas. Consegui algumas. Na maioria das vezes, a frustração decorre de uma expectativa exagerada ou do nosso desejo de que tudo saia conforme planejamos. Infelizmente, isso talvez só aconteça na ficção. Outras vezes, nossa frustração advém do fato de acreditarmos no que queremos e não no que devemos acreditar. Certa autora afirmou: “Nem sempre a frustração acontece por acreditarmos demais nas pessoas. Às vezes, é porque acreditamos apenas no que queremos acreditar.”

Penso que o maior dom que podemos ter, além da vida,  é a capacidade de pensar, de refletir. E aprender! Ao refletir, geralmente encontramos respostas. Muitas vezes, nesse mundo da autoajuda, do aparente, do superficial, dos sorrisos de propaganda de creme dental, pensamos que tudo é ou pode ser perfeito. Isso não procede. O mestre já havia nos avisado há mais de dois mil anos:

“No mundo, vocês terão aflições, mas tenham bom ânimo.”

Peço-lhes licença para empregar aflição  como sinônimo contextual de frustração. E frustração como antônimo de superação.

Entendi, caros leitores, que a frustração é algo natural. Se você se sente ou se sentiu frustrado, bem-vindo ao clube dos humanos, ao mundo das pessoas de carne e osso! Sim, todo mundo já se sentiu frustrado.

Mas tenho boas notícias. Para cada frustração existe uma semente de superação: “Em cada frustração existe uma desilusão; em cada desilusão uma oportunidade de recomeço.”  Penso que as grandes conquistas, na maioria das vezes, são resultado de uma grande frustração.

“Frustração, algumas vezes, é apenas a maneira de Deus dizer DIREÇÃO ERRADA!”

Temos, diante de nós, dois caminhos em relação à frustração: resignação ou superação. Podemos nos conformar  ou superar! Talvez não tenhamos tanta força assim para levantar a cabeça, sacudir o pó, levantar e recomeçar. Mas o pouco que tivermos já será suficiente.

Você estuda há três anos e não veio a aprovação? Continue a estudar. Talvez seja necessário um método diferente! Tudo o que estiver ao seu alcance faça! Está trabalhando bastante e o resultado não é dos melhores? Aplique mais excelência, mais coração, mais confiança!

Há uma frase latina que me enche de ânimo: Audaces fortuna juvat (A sorte ajuda os audazes).

Sejamos, portanto, audazes, ousados, persistentes. Prossigamos rumo à conquista dos nossos objetivos. Como antídoto à frustração, a SUPERAÇÃO. Uma SUPERação! Lembremo-nos também daquela frase de futebol: “Só acaba quanto termina”!

Um grande abraço, humanos!

Pássaros e lírios.

Comecei escrevendo este texto com três substantivos abstratos brigando entre si para ganhar realce aqui. Um deles venceu. Os vencidos virão em textos posteriores.

Um escritor tem a opção de fazer do cotidiano sua matéria. É o que faço. Tento escrever sobre aquilo que vivo e que capto ao meu redor.

No último final de semana, alguns familiares, amigos e alunos meus fizeram provas do concurso público mais concorrido do Brasil – Senado Federal. Segundo um resultado preliminar, alguns tiveram êxito, outros não – o que aparentemente é normal.

É tão complicado participar de resultados ruins. É difícil compartilhá-los. Já disseram por aí: “O sucesso tem muitos pais, mas o fracasso é órfão”. Dias, meses, anos de empenho se vão em quatro ou cinco horas de prova. A expectativa gerada durante esse tempo revela-se, algumas vezes, uma frustração. O tempo que se extraiu da convivência com a família, com os amigos parece perdido em vão.

Bem, caro leitor, quero falar um pouco sobre algo que pode ser a causa de grande parte dos nossos problemas: a ansiedade. Dois fatos me levaram a isso. O primeiro deles foi em relação ao concurso que citei. Um dos meus sobrinhos fez a prova e, aparentemente, não logrou êxito, apesar de dominar as matérias do certame. Conversando com uma amiga que o conhece, ela me falou: “Dias antes da prova ele se mostrava bastante ansioso”.

O segundo fato ocorreu num almoço dominical familiar. Uma das minhas irmãs me pediu que eu falasse com um dos meus sobrinhos – seu filho – para que ele deixasse de ser ansioso. E olha que ele só tem 10 anos. Vi-me como naquela história em que uma mãe pede a Gandhi que diga ao filho dela que pare de comer açúcar. Gandhi pede que a mãe volte com o filho depois de um certo tempo. Findo o prazo, a mãe volta. Então, o sábio pede àquela criança que pare de comer açúcar. Intrigada, a mãe lhe inquire: “Por que você pediu esse prazo para falar ao meu filho, sendo que você não falou nada diferente do que falaria naquela ocasião?” Gandhi lhe responde: “É que até aquele momento eu também comia açúcar. Como poderia falar para alguém deixar de fazer algo que eu faço?”

Longe de mim querer me comparar a Gandhi. Mas a história serve como ilustração. Como eu poderia falar com meu sobrinho, pedindo-lhe que abandonasse a ansiedade, se eu me vejo extremamente ansioso, se um dia desses quis fazer uso de ansiolíticos?

O pedido da minha irmã me fez refletir: o nosso estilo de vida talvez seja a causa da ansiedade e da frustração dela advinda. Talvez o motivo de não se passar num concurso seja a ansiedade! Talvez o nosso estilo de vida nos esteja levando, caro leitor, a um círculo vicioso: ansiedade leva à frustração, frustração leva à ansiedade.

Talvez você também esteja passando por isso. Perdoe-me por não ser um guru. Mas conheço alguém que nos pode ajudar: o Mestre dos mestres! Há mais de dois mil anos Ele nos legou algumas palavras sobre isso.

Dirigindo-se aos seus discípulos, Jesus acrescentou: “Portanto eu lhes digo: Não se preocupem com sua própria vida, quanto ao que comer; nem com seu próprio corpo, quanto ao que vestir.  A vida é mais importante do que a comida, e o corpo, mais do que as roupas. Observem os pássaros: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta. E vocês têm muito mais valor do que as aves!

“Observem como crescem os lírios. Eles não trabalham nem tecem. Contudo, eu lhes digo que nem Salomão, em todo o seu esplendor, vestiu-se como um deles. Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada ao fogo, quanto mais vestirá vocês, homens de pequena fé! Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja à sua vida? Visto que vocês não podem sequer fazer uma coisa tão pequena, por que se preocupar com o restante?” (Lucas 12:22-28 NVI)

Para vencer esse turbilhão de sentimentos que frequentemente me assolam, procuro respostas nas palavras do Mestre, pronunciadas de uma maneira simples,  provavelmente há mais de dois mil anos, como já disse, mas extremamente atuais.

A conclusão a que eu chego, portanto, é a seguinte: para vencer a ansiedade, devemos viver como os pássaros e como os lírios. Se os pássaros não se preocupam, por que eu, que valho mais que eles, iria me preocupar? Se os lírios têm todo aquele esplendor e nem o homem mais sábio da história pôde se comparar a eles, por que viver ansioso em busca de dinheiro, bens, reconhecimento?

Cada um é livre para se apegar ao que quiser. Eu me apego às palavras do Mestre. Não sei se você se sente assim, caro leitor, mas às vezes me sinto como no meio de um tornado; outras vezes, como aqueles ratinhos de laboratório, correndo infinitamente dentro de um círculo.

Escrever aqui no blog, como já falei, para mim é uma catarse. Como se diz no twitter: #prontofalei. Se alguém se identificar comigo nessa efusão de sentimentos, já tem pelo menos uma direção: viver como os pássaros e os lírios.

Para me brindar ao final deste texto, ouço da minha pequena varanda de apartamento, às 5h27,  o canto de alguns pássaros. E como cantam bonito, sem a menor preocupação. Talvez um sinal divino de que esse é o caminho a seguir.

Um grande abraço, leitor-pássaro-lírio!

Os Três Elementos

No último final de semana, tive uma oportunidade ímpar de rever antigos e novos amigos, antigos e novos alunos e experimentar antigas e novas sensações. Isso ocorreu por ocasião do lançamento de um livro meu, voltado à preparação de candidatos a concursos públicos.

O lançamento de um livro é um evento que causa muito sofrimento a um autor. Quantas pessoas participarão? Quantos amigos me prestigiarão? Quem se importa comigo? Quem gosta de mim de verdade? Essas são algumas perguntas que passam por nossa mente. Pode ter certeza de que a última provável pergunta, pelo menos no meu caso – sem querer ser pretensioso –,  é Quantos livros venderemos?

E por que tanta preocupação com um livro? Há uma relação pessoal,  íntima, caros leitores,  entre autor e  livro. Criador e criatura. Pai e filho. O pai espera que o filho seja bom! E as outras pessoas é que farão essa avaliação.

“O bom livro é aquele que se abre com interesse e se fecha com proveito”, disse o professor norte-americano Amos Alcott. Continue a ler »