Há algum tempo, estava insatisfeito com minha vida profissional. 15 anos fazendo a mesma coisa. Já não se me apresentavam desafios. Como professor de Português, as perguntas que chegavam a mim eram sempre as mesmas. E não sou muito afeto a rotinas. Mas imaginem. Não é fácil para alguém que está chegando próximo à idade dos “enta” mudar de rumo, de profissão. Mas eu tinha de ser coerente comigo mesmo. Dar aulas a semana toda já não correspondia às minhas expectativas internas.
Até então minha profissão era professor. Paralelamente, escrevia livros. Decidi, então, inverter a posição: minha primeira profissão seria escritor e, paralelamente, ministraria algumas aulas. Nesse meio tempo (o conflito durou cerca de dois anos), surgiu a oportunidade de eu ser diretor de uma editora (empresa responsável pelo processo eletrônico de produção de livros). Achei o desafio interessante. E a esses novos mares me lancei.
O leitor deve estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com sua vida? Peço-lhe calma! É só um pano de fundo para o que quero falar mesmo. Acreditava que trabalharia menos nas minhas novas profissões: escritor e editor. Ledo engano. Minha jornada de trabalho dobrou. Meus finais de semana se esvaíram. O tempo simplesmente se extinguiu. O estresse aumentou. Confesso que cheguei a me arrepender de tal mudança. Mas uma frase não me saia da cabeça: Sem sacrifícios não há vitórias! Quantas vezes falei essa frase aos meus alunos! E agora, efetivamente, ela se aplicava a mim.

Bem, caro leitor, vamos ao desfecho inicial do meu relato. Hoje, quase 1 ano depois da mudança de profissão, posso dizer-lhes que estou trabalhando mais que antes, ganhando menos que antes, porém mais feliz que antes. O prazer no trabalho, descobri, não está necessariamente relacionado a quanto se ganha ou a quanto se trabalha. Está relacionado ao propósito que se encontra no que se faz. E algo inesperado, nesse meio tempo, aconteceu: minha antiga profissão se tornou um hobbie. Encontrei, novamente, o prazer de dar aula, já que agora tal atividade é a minha fuga dos problemas de direção de uma empresa. Coisas da vida.
Vamos agora à nossa aplicação. Tenho aprendido que devemos parar de adiar mudanças necessárias. A nossa vida é muito curta para continuarmos a insistir em algo que não nos satisfaz. Em segundo lugar, mudanças exigem sacrifícios. Exigem dor. Mas são necessárias. Às vezes o cansaço me consome. Mas consigo ver um propósito maior no que eu faço. Quando vejo um livro nascer, vejo que o trabalho valeu a pena. É como uma boa mãe, num parto natural. Existe a dor, mas a alegria do nascimento de um filho se sobrepõe a qualquer sacrifício.
Mudanças, na maioria das vezes, são necessárias. E exigem sacrifícios. Pelo menos, até que se atinja um ponto de equilíbrio.
O que o livro do Mestre nos diz sobre isso?
“Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
O que algumas vozes do passado nos falaram sobre isso? “Temos de nos tornar na mudança que queremos ver.”, disse Mahatma Gandhi. “Toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.”, afirmou Immanuel Kant. “A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro.” , disse John Kennedy.
Portanto, querido leitor, façamos as mudanças necessárias. E quando vier a dor, o cansaço, o temor do fracasso, lembremo-nos: “Sem sacrifício não há vitórias.”
Uma ótima semana!









